sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"Nos Muros"


Composição n° 906

NOS MUROS
(R.Candeia - 13/01/2017)

Me pegue sempre naquele mesmo bar
Me pague para tentar me tirar dali
Tudo isso aqui é o nosso momento
Não culpe o tempo por você ter que ir

Encontro papéis amarelados
Com meus próprios recados feitos pra esquecer
O entardecer inicia o pecado
Que deita ao nosso lado, torturando o sofrer

Fiquei até tudo fechar
Mas só depois que eu reparei
Nos muros o passado e o futuro declamam
O presente como verdadeiro rei

As cartas morreram com a chegada do futuro
Mas nos muros mensagens proféticas
Com veias poéticas latejando de rimas
Coroando de cima (todas) as paixões ecléticas

Escolho meu rumo e acendo o meu fumo
Mas não sumo por nada sem antes avisar
Só não quero ficar seco por dentro
E virar um detento (de mim) pra me dedicar

Fiquei até tudo fechar
Mas só depois que eu reparei
Nos muros o passado e o futuro declaram
Que o presente é o verdadeiro rei












quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"Contrabandistas"


Composição n° 905

CONTRABANDISTAS
(R.Candeia - 11/01/2017)

Cuidado com as leis da madrugada
Onde toda a verdade violada machuca
Dizendo as palavras certas pra quem finge tudo
Ignorando significados que contrariam

Tapas acordam mas também reprimem
Na tentativa de achar o legal ilícito
Numa emboscada cercada e armada
Que nos joga no ponto cego dos dias comuns

Estamos fadados a temer os fardados
Engravatados engavetam provas tão vivas
Quanto as pessoas que são enterradas diariamente
Devido a projetos que pregam a salvação

Não saio na rua procurando flores
Como a hipocrisia de muitos diz fazer
Mas também não quero dar e nem levar pedradas
Igual a tantos de cara tapada que se acham bonitos

Demagogos armam seus palanques pro público
Em discursos perfeitos e engraçados de se ouvir
Tão sutis e elegantes com seus charmes importados
Contrabandeados de onde ainda se sonha ser









terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Cenário Uivante"



Composição n° 904

CENÁRIO UIVANTE
(R.Candeia - 10/01/2017)

No uivante cenário de uma festa cancelada
Toda louça amassada de inútil serviu
Só quem previu guardou as palavras
Notícias já esperadas desse gigante pavio

Espero telefonemas e gritos da janela
Dizendo que o tema da vida bela é um espetáculo
Dando a liberdade e abrindo os braços
Que confortam macios em seguros tentáculos

Tua verdade mentiu pra mim
Fiquei esquecido e largado na estrada
De malas prontas no acostamento
Mas não lamento e aceito a piada

O ponteiro parado mascara meu tempo que passa
Onde até o atraso fica à frente daqui
Prefiro a meia noite do que o meio dia
É a sensualidade contra a agonia

A ausência de cor nestes castelos
Jogam na cara o elo de um passado presente
Coincidência decorrente em todas as horas
Como as senhoras que não mostram seus dentes

Tua verdade mentiu pra mim
Fiquei esquecido e largado na estrada
De malas prontas no acostamento
Mas não lamento e aceito a piada

"Futuro Repetido"



Composição n ° 903

 FUTURO REPETIDO
(R.Candeia - 10/01/2017)

Tem vezes que não tenho forças pra lutar
Contra tudo que é contra mim
Essa vida é um baralho embaralhado 
Sem saber o que poderia ser o fim

Essas vistas só enxergam o que não devo enxergar
As grades viram minha casa mais frequente
Que teto triste para se morar
Costumo antecipar sonhos e isso é persistente

Mestres e poetas se perdem em triângulos 
Distúrbio que compete com seu próprio eu
A antiga novidade do novo que se repete
Agora morre de fome o analista que você não  escolheu

Esqueço talvez sem querer do que sou
E me perco como porco sem futuro na véspera 
De Natal que não entende seu sacrifício 
O meu vício é um ofício e meu reino vira monera

Nada é tão simples quando saio à procura
Minha cura é lenta e fica além do que não posso ver
Não me protejo porque acho que mereço 
O meu endereço nessas horas tende a se esconder

Mestres e poetas se perdem em triângulos
Que não tiveram suas áreas encontradas
Distúrbio que compete com seu próprio eu 
Morre de fome o analista que você não escolheu





quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Tempestade Clandestina"



Composição n° 902

TEMPESTADE CLANDESTINA
(R.Candeia - 05/01/2017)

Noite nublada e raios entre o cinza
E ainda fazemos da vida esse bordel
Inventando cada céu para um feito
Então não aceito ser escravo de papel

Cada sonho um endereço diferente
E tantos crentes que as soluções
São resolvidas na magia do invisível
O não perecível agora em formas de visões

E nas promoções
A felicidade estampada
Ação premiada
Que não liga pra físico e alma

Muros em volta que só cercam mesmo
De dentro pra fora
Núcleo protegido contra a liberdade
Que invade e trás o feliz na clandestinidade

O clandestino em caixas cheias de destinos
E a alegria dos meninos que pulam muros
Desarticulam ventos e assopram tempestades
E dizem que a realidade não é a mesma no escuro

E nas promoções
A felicidade estampada
Ação premiada
Que não liga pra físico e alma

















quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

"Minutos de Infinito"



Composição n° 901

MINUTOS DE INFINITO
(R.Candeia - 04/01/2017)

Não se sinta tão sozinha
Nessa linha tênue da madrugada
As luzes dos faróis também podem
Ser suas depois de cada mesa trocada

Os mistérios se escondem em sua escuridão
Que talvez você nem sabia existir
Jorrando desejos a esmo feito esmolas
E sob suas solas o concreto de estar aqui

Mesa trocada
Cada jogada é um grito
Cadeira puxada
Pode render minutos de infinito

Na procura se mistura sentidos
Desentendidos pensamentos e observação
E a viciosa precaução que pode atrapalhar
E também ajudar a não ralar as mãos

Toda cidade buscando suas vaidades
E toda vaidade é conseguir o que quer
Do corpo a companhia, seduzir o dia
Às vezes até perceber o que não é

Mesa trocada
Cada jogada é um grito
Cadeira puxada
Pode render minutos de infinito

"Cortinas Fechadas"



Composição n° 900

CORTINAS FECHADAS
(R.Candeia - 04/01/2017)

Fecham as cortinas de um palco sem luz
Cadeiras vazias sem aplausos
Silêncio que incomoda os ouvidos
Peça incompleta sem nenhuma bilheteria

A comédia se torna dramaturgia
O drama fica banal numa barata trama
O que a vida relata não cabe num papel
Um roteiro que é refeito todos os dias

Cortinas fechadas
Isso não é uma fachada sem cor
Peça estreada
Com nosso roteiro improvisador

O cenário aumenta de tamanho
Dando mais lugar ao vazio
Ausência reinando nesse pequeno teatro
Onde os quatro cantos são aleatórios

E nos escritórios documentos importantes
Que são menos relevantes que o cumprir
Pois, cuspir o roteiro com a fala errada
Não é a saída exata pra esse teatro lotar

Cortinas fechadas
Isso não é uma fachada sem cor
Peça estreada
Com nosso roteiro improvisador