quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
"Questão"
Composição n° 991
QUESTÃO
(R.Candeia - 20/12/2017)
Preciso relaxar e não pensar
Talvez em nada por uns dias
Meu pensamento positivo só acaba
Depois do último ponto final
Emocional abalado é como
Um quebra cabeça faltando peça
Então não me peça pra sofrer
Porque tudo antecipado é preconceito
Com os olhos no mundo
Eu tento viver com os olhos do mundo
E o meu segundo pode ser uma década
Dentro da contagem de outro ser
Atropelamentoto nas Américas
Asfaltos manchados como nações
E as noções perdidas nos postes
Não julgue a sorte e nem culpe o azar
Não giro em torno de mim
Para achar um destino
Isso triplica o já intrêmulo caminho
E implica com a loucura mais santa
Com os olhos no mundo
Eu tento viver com os olhos do mundo
E o meu segundo pode ser uma década
Dentro da contagem de outro ser
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
"Assuntos Clandestinos"
Composição n° 990
ASSUNTOS CLANDESTINOS
(R.Candeia - 12/12/2017)
O ridículo passou longe de nossa carne
E não só percebemos como vivemos
Sol introvertido entre nuvens ranzinzas
Tão cinzas quanto as ideias que vemos
O fim pode sim ser outro começo
Como acontece nos livros
Então me livro de toda sentença
Minha crença é no que vivo
Ultimamente tenho crido nas descrenças
Nas soturnas heranças que direcionam
A liberdade escolhida a dedo
O credo é medo e a muitos emocionam
O diabo é todo o mal que fizemos
E não temos a capacidade de assumir
Pra que sumir do que aparece em nossa frente
Nessa corrente que é tão fácil de partir
O demônio pessoal coroando domínios
Que são tão reluzentes quanto noites felizes
Pelas marquises me dê de propina teu passaporte
Brincando com a sorte num jogo de azar
Onde está o subversivo lotado
De pensamentos controversos diversos
Não só de versos viverá o homem
Escrevendo com fome um testamento perverso
Batendo palmas com o coração
Sem viver a louca ilusão daquele que ama
Numa teimosia de mula que empaca
E a fama de quem só se deita na cama
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
"Alteamento"
Composição n° 989
ALTEAMENTO
(R. Candeia - 30/11/2017)
O tédio tarado por tristeza mata
No fundo ninguém conhece a si mesmo
Cada dia descobrimos mais sobre nós
Em atitudes jamais pensadas ou sonhadas
Não ser covarde é questão relativa
Depende do ponto de vista e ocasião
E a denominação na ação interpretativa
Nessas tentativas que forçam a frustração
O abraço não pode deixar escapar o calor
A barra atirada pra cima volta
Numa ação que dizem não existir
O elixir da vida quando fede revolta
Verticalizando a dobradura existencialista
Temporo-espacial posterior
Moro lá na última gaiola
E meu quintal passa a ser o exterior
Jornais em estados de calamidade pública e privada
Estados em jornais de calamidade pública e privada
E sabe aquela barra atirada não a esmo e não salvou
Isso mesmo, volta alvejando quem mirou
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
"Sádica Benevolência"
Composição n° 988
SÁDICA BENEVOLÊNCIA
(R. Candeia - 22/11/2017)
Demagogos e hipócritas de plantão
Oportunistas, vampiros, vírus, odores
Oradores e moralistas de ocasião
O idiotismo não entende nem sua contradição
Indiretas no ar resumem o nosso momento
Coices de jumento sem argumento
E na cabeça o vento que não sopra
Desses Lorpas infanto-juvenis tão hostis
O lado mais obscuro da vida é aquele
Que não se conhece ou tem medo
Sentindo o gosto azedo de levedo
Fazendo de brinquedo até a coisa mais bíblica
Não entorne essa aguardente assim
Deixando vazar por entre todos os dentes
O prazer doente de ser fiscal de tudo, tudo
Tudo aquilo que não te pertence
A desordem é sagrada quando não se encaixa
Nesse quebra-cabeça que se monta na ordem
Agora entornem no chão suas águas paradas
Estagnadas do tempo de caridades carentes
Masoquismo que começa na frente do espelho
Dores alheias não são dores se não lhes doem
Úteros que choram sangue por causa de intrusos
Sádicos e os abusos de suas benevolências
terça-feira, 21 de novembro de 2017
"Quadro Esquálido"
Composição n° 987
QUADRO ESQUÁLIDO
(R.Candeia - 21/11/2017)
Se enforcar com a própria língua
Sinal vermelho no tiroteio
E o segundo disperso pode ser teu vilão
Essa vida ainda não disse a que veio
Adrenalina e incerteza juntas
Numa dança mal ensaiada
Calçadas como passarelas que mostram
O que é nossa pífia moda
Perdem-se tanto tempo desconstruindo
Que acabam não construindo nada
Ociosa cilada da desintelectualidade
Por tantas cidades ideias exiladas
Frases simples e feitas se tornam mágicas
E iludem os acéfalos mitológicos que batem cabeças
Aproveitando a falta de comida
Devido a prestação de seus aumentos de classe
A intervenção já existe onde não há saneamento
Olhares nojentos feito navalhas enferrujadas
Rasgam e giram nas carnes apodrecidas
Por falta de interesses e cuidados
O milésimo como prova de sobrevivência
A moradia como alvo constante
E julgamentos cortantes vem velar
A honra de quem tem o peito perfurado
(Por projéteis piores que a solidão)
terça-feira, 14 de novembro de 2017
"Pão Mofado"
Composição n° 986
PÃO MOFADO
(R.Candeia - 14/11/2017)
Em cada pão mofado encontrado
Está um pouco da tristeza imposta não vista
Que se curva a cada conquista
Daquele que lhe tira tudo e sua carne belisca
Trejeitos de um tempo em que a maldição
Mora na mente e mexe com o corpo que não resiste
Enganando olhares e alterando sensações
Dando vida a frustrações que nem sempre existem
Pão mofado engolido a seco
Em becos teu sangue livre corre
De tanto ódio distribuído
Nesse mundo perdido que tudo morre
Esquecendo um lugar em cada coisa
Humano que é humano não confia em humano
Limpando com pano sujo manchas e pistas
Reprovado na entrevista com o mundano
Fugindo para a melhor das fugas
E a melhor das rugas é feita pelo sorriso
Aumentando a cotação p'rum coração quebrado
Desobedecendo as placas de aviso
Pão mofado engolido a seco
Em becos teu sangue livre corre
De tanto ódio distribuído
Nesse mundo perdido que tudo morre
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
"Errata da Paixão"
Composição n° 985
ERRATA DA PAIXÃO
(R.Candeia - 03/11/2017)
Nos traços e instintos famintos
De uma louca paixão descarrilhada
Matéria ferrada de uma mente cega
Que se entrega à insanas ciladas
Os olhos procuram o olhar que se desvia
A boca que quer o beijo procura sem sentido
A boca do escarro gratuito
Diante de cada grito interno não medido
A noite cai invadindo o sol sem licença
E sem a mínima decência o controla
E tudo se embola de forma covarde
Nessa vida infiel que arde e cantarola
As cicatrizes não dão o certo aviso
Estimulando e ignorando qualquer errata
Enorme passeata sobre o coração
Indireta coação, desejo escravocrata
Esmolas e migalhas satisfazem por segundos
É o pouco como bela recompensa
Por cada dose dupla de ofensa engolida
E a carne viva é ungida pela indiferença
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