sábado, 27 de outubro de 2012

"Imortalidade"



  
 IMORTALIDADE

  (R.Candeia - Out/2012)

Pessoas são tão babacas
Pessoas são tão legais
Umas exalam prazer
Outras nem sais e nem minerais

Pessoas são tão diferentes
Mas tantas são tão iguais
Que dá até vontade de troca-las
Como figuras no jornaleiro

Quando percebi que sou mortal
Simplesmente me tornei imortal
Dentro da minha imortalidade
Sedutora e egoísta

E o tesão, é falta de respeito?
Só se for na igreja que você frequenta
Não quero morrer por dois motivos
O primeiro inclui milhares de coisas

Quase tudo é carnal, destrutivo e lindo também
E o segundo é que não tem lugar pra mim
E eu me recuso a ser jogado na terra
Não pretendo chegar ainda mais sujo do outro lado

A realidade é que nossas verdades
São completamente absurdas
São praticamente confundidas
Com mentiras muito mal contadas

To achando tudo tão banal
Atitudes sem razão, com algum motivo
Não ligo mesmo, a verdade é que o que sou
E o que eu fiz, essa pessoa nunca esquecerá

Venha, vim te convidar pra viver
E ver nascer mais um dia...

"Recesso"




      RECESSO

 (R.Candeia - Out/2012)

Pode parecer loucura baby
Mas esses dias de distância
Nos deixará bem perto
Nada mais de deserto na gente

E a mente aberta refletirá
Que toda experiência é válida
E nossas caras não ficarão
Outra vez tão pálidas

Sou teu louco pinguço menino
Que treme a cada soluço teu
Queria ser tanto só seu
Mas antes de tudo sou de mim

Isso não é teoria de ateu
Mas sentimento é coisa séria
Então quem sabe essas férias
Nos tragam aquelas coisas velhas

E temos que reconhecer
Que nem são tão velhas assim
Transmitindo e não mentindo
O que somos enfim

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Coisas Boas da Vida



COISAS BOAS DA VIDA

 (R.Candeia – 17/10/2012)

Estou bem aqui quase nunca parado
Pronto para ser usado
Então venha e pode me usar
Porque eu adoro usar você

Usar você para as melhores coisas
Que existem na vida
Sou chegada e não a partida
Sou também a alegria de sorrir

Venha que sou também seu tesão
Teu prazer, e todos os orgasmos
Que te fiz e que você pode ter
Na rocha encandescente de viver

Sou o sorriso meio torto
A língua presa e louco
E quando fico rouco
É porque gritamos bem alto

Fazendo os vizinhos acordarem
De todos os andares
Numa quase manhã
Que por pouco não aconteceu

E aqui estou eu parado
Com jeitinho de menino
Pensando em uma brincadeira
Que te fará flutuar por inteira

Preparando meu mimos
Daquele jeito profano
Não conseguindo esconder nada
Por de baixo dos panos

Porque a única coisa discreta em mim
É a minha timidez
Que tira a roupa comigo
Dividindo comigo a nudez

Pode me usar de verdade
Para as coisas boas da vida
Pois agora estou aqui bem parado
Sou chegada e nunca a partida

            

sábado, 21 de julho de 2012

"Já Disse"


    


   


      JÁ DISSE
(R.Candeia - Jun/2012)

Se me olham meio assim
Com jeito de reprovação
Mando com educação
Tomarem no meio do cu
Porque sou educado
A fama de bicha, bêbado e drogado
É apenas uma ilusão
Não sou tão bom assim
Apenas tento fazer minha parte
Porque a total caretice
Pertence ao reino da chatice
Que julga com cara de bunda
Que ficou sem papel
É a sociedade que sustenta o estado
Em um casamento sem véu
Num egoísmo de quem demora no banho
Retirem suas ovelhas do rebanho
Não existe Papai Noel
Vamos protestar contra nós mesmos
Não passamos de revolucionários serenos
Nos intoxicamos com nosso próprio veneno
Ouça ou morra na mesmice
Pronto, mesmo querendo, já disse...

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Tempo"


           TEMPO
(R.Candeia - Junho/2012)

Chorar agora é perda de tempo
É difícil andar por edifícios
Tudo aqui no vazio faz falta
Desde meu cachorro
Até a minha namorada
O mundo parece outro
Girando de uma forma fria
Trocando lâmpada sem equilíbrio
Assim olho e me distraio
Vendo velhas e novas
Fotografias

E rezo para tudo voltar
Claro que com inocência
A minha demência é doméstica
Amestro com perfeição
E assim passam os dias
Como um raio ou trovão
Que debocha, ri e brinca
Com a minha percepção

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Fuzilamento Ocular"



FUZILAMENTO OCULAR
(R.Candeia - Maio/2012)

Me dê sua consciência agora
Que eu te dou um pouco deste liquido
Que fez eu perder a minha
Longe de mim minha sombra caminha

Carrego a doçura enjoativa criada apenas
Por um doce néctar embriagante
Que seca a fonte das veias, mas rega
O mar trêmulo que assusta os navegantes

Ofereço um sorriso até pra quem não merece
Dando um baque tão forte que faz o cinto travar
Mas esse sorriso não é uma fina vingança
Vingança é assistir a um Black e White quebrar

Loucura não despeja o sentimento de seu lar
Apenas separa a mente do corpo
Lançando olhares casuais e sem foco
É quando sem querer quebramos um copo

E num fuzilamento bem ocular eu digo
Que estar sempre duas doses acima
Não é pra qualquer um nesse mundo
Seguro o copo inclinado e derramo minha sina

terça-feira, 15 de maio de 2012

Meio “On The Road”





   MEIO "ON THE ROAD"
   (R.Candeia - Maio/2012)

Domingo é tão comum de arrasar
Vinho da garrafa todo liquidado
E num cigarro acabado pode brotar
Aquele meu lado belo e desvairado

Será que sou assim tão fugaz?
Também não sou um simples galardão
Que serve apenas de consolo
Pra quem tá na vida só de participação

Quero poder e ser maior pra mim
E fulgurar de forma plena
Saindo dessa fuligem que esconde
No que é bom o que te envenena

Então sigo meio “on the road”
Omitindo verdades às vezes cruéis
Pois a vida é como um teatro de rua
Devemos escrever nossos próprios papéis