quinta-feira, 14 de setembro de 2017
"Resíduos"
Composição n° 970
RESÍDUOS
(R.Candeia - 14/09/2017)
Largados a seus próprios instintos
Extintos por olhares formais
Nada mais se busca ao relento
Só cruciantes sargentos morais
Se afogam no raso dos saberes
Por nunca terem visto a profundidade
Na arte não pode haver leis
Censura imposta por reis da modernidade
Arte limitada é um grito de boca fechada
Onde resíduos de fezes santas opinam
E marginalizam a falta de esperança hereditária
Cartilha imaginária, patologias que ficam
Psicólogos mortos pela exatidão
Submersos nas tantas incertezas alheias
Em banheiras que viram oceanos
Onde a vida é menor que um grão de areia
Com ventos eróticos sopram batizados
Esterilizados messiânicamente
Aguardente não é farsa como bem tá
Pra delitos flagrados teoricamente
Obs:
Cruciantes = angustiante, doloroso e torturante.
"Hermético Código"
Composição n° 969
HERMÉTICO CÓDIGO
(R. Candeia - 14/09/2017)
Num hermético código conflituoso
Através de comunicações clandestinas
Protegem seus orifícios atrás de cruzes
Apagando as luzes quando a voz afina
No terço, no quarto, tudo se esconde
Nesse bonde lento que só a si carrega
E então saficamente entrega o temor
Daquele terror que nas veias navega
A consolação enraizada no peito
Ameniza o pleito próprio sobre a mesa
E de joelhos não se reza apenas
Ruas viram arenas de uma proeza não coesa
Criamos o abstrato à nossa semelhança
E a nossa herança foi a quimera salvação
Farmácia de manipulação pra cada desejo
Até mesmo pro sagrado bocejo no sermão
O infinito não existe onde o plano tem fim
Movimentos enfim são desconsiderados
Batinas, tarados, século passado debatido
E se tem convencido que o provado está errado
(E sem ter o que dizer põe a culpa em algum lado)
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
"Desengano"
Composição n° 968
DESENGANO
(R. Candeia - 13/09/2017)
Toda sobriedade é uma doença fatal
Tudo exposto ao público é pura edição
A escuridão ampara a salvação da moral
A vida do quintal encobre a do porão
A cegueira, a miopia e o estrabismo
Cria um conformismo que ultrapassa livros
A inocência da tão esperada volta
Num otimismo que aponta e leva a crivos
Essa vida é tão reorganizável
Às vezes me distraio e então percebo
E nesse orate ciclo não potável
O mais estável mora dentro do placebo
Eufemistas das imagens
Vagando puros e belos em verdes jardins
Nos confins de belezas divinas
Que em toda a esquina distribuem jasmins
Toda falta de silêncio vira conspiração
O real como uma mão proibida em decreto
Logrando intuições graciosas ao poviléu
Monstrando um pouco do céu objeto
Obs :
crivo = julgamento
Placebo = toda e qualquer substância sem propriedades farmacológicas,
administrada a pessoas ou grupo de pessoas como se tivesse propriedades terapêuticas.
Eufemismo = uma figura de linguagem na língua portuguesa, um mecanismo que tem o objetivo de suavizar uma palavra ou expressão que possa ser rude ou desagradável. E consiste na troca de termos ou expressões que possam ofender alguém por outras mais suaves, seja por serem indelicadas ou grosseiras.
Lograr = enganar
Poviléu = povo
Orate = sem juízo, louco
terça-feira, 12 de setembro de 2017
"Dicotomia"
Composição n° 967
DICOTOMIA
(R. Candeia - 12/09/2017)
Dicotomia instaurada em agonia
Sobrevivo pelo fato de persuadir
E todo esse lânguido povo que chora
Totalmente ignora o antes do porvir
Lutas imberbes só podem ferir
E nada mais do que isso até agora
Jogam tudo fora pelas tangentes
Ideias abrangentes não encontram hora
Festas públicas são escárnio em faces
Nebulosidade escondendo placas de sentidos
Emoldurando a castidade em jejum
E orando por um pensamento contido
O eco plácido de subordinadas vozes
São tão ferozes quanto a passividade
Que qualquer novidade pode causar
Afim de controlar e matar a verdade
Subversivos nascem da impaciência
E da carência de compreensão ao redor
Pormenor não conhecido dos motivos
O engodo ativo acomete o esplendor
Obs:
Dicotomia = divisão em duas partes contrárias
Persuadir = mover, induzir, acreditar
Lânguido = que se encontra em fraqueza física e psicológica
Imberbes = jovem, de pouca idade
Plácido = serenidade, brado leve
Subversivo = ato ou efeito de derrubar, perversão moral
Pormenor = detalhe, minúcia
Engodo = ilusão
Acomete = ataca
"Derruindo Ethos"
Composição n° 966
DERRUINDO ETHOS
(R. Candeia - 12/09/2017)
Precisamos envenenar nosso sangue
E dar inteiro a nossos vampiros
Não é todo giro que muda um destino
E em cada gesto fino eu piro
Fenecer a corrente moralizante
Vicejando viciante a obra enrubescida
Que é distorcida, uma face após purgante
Criptando o desejo de limitar a vida
Nesse cenário sombrio
Nós somos as velas
E o que se revela
É apenas um frio
Adestrado e livre no cercado
Atmosfera de sedução poluída
Onde o maior e ousado legado
É a fuga incrível pra uma rua sem saída
Quantos passos pode se dar
Sem tocar no chão?
Quantos sonhos pode se ter
Sobre o mesmo colchão?
Obs:
Derruir = demolir
Ethos = conjunto de hábitos e costumes fundamentais
Fenecer = tornar mais fraco
Vicejar = desenvolver com força
Enrubescida = tornar vermelho
"Velhos Anúncios"
Composição n° 965
VELHOS ANÚNCIOS
(R. Candeia - 12/09/2017)
Nos clichês anunciados
Na rua, nas bocas e janelas de carros
Se encontra toda a desmotivação
De enfrentar esses tantos ideais bizarros
O louvor devido a tudo que acontece
Até mesmo o que apodrece é agradecido
Enquanto o genocídio domina o mundo
Da arquibancada se contenta ao assistido
E esse afeto afeta os fetos nem nascidos
Já estão convencidos antes dos olhos abrirem
Que se insistirem serão apedrejados
E caminham ao lado do nada a sorrirem
Velhos anúncios
A ignorância é um projeto supremo
Que irrita até mesmo o desprezo
Por tudo aquilo que não lemos
Todo passado explica o presente
E condena o futuro que não muda
Ninguém ao menos estuda o que se é
É começando pelos pés que tudo se inunda
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Texto
A MODA DA NOVA IDADE MÉDIA
Por: Ricardo Candeia
18/07/2017
O Brasil, e toda sua população, junto com tudo, está indo fortemente por ladeira abaixo, caindo sem parar para o fundo de um poço que parece não ter mais fim, dando vida, devido à nossa tragédia interna, à personagens fictícias de péssimo gosto e de enredo paupérrimo. Bolsonaro é o maior destas personagens, este "senhor" é o resultado de uma longa, porém simples equação, onde se subtraem educação, respeito, lógica, paz, racionalidade e soma-se ódio, desrespeito, preconceitos variados, imediatismo barato e palavras vazias, multiplicado por insensibilidade, falta de conhecimento histórico, bom senso, sinceridade, crises vastas, principalmente intelectual, que vem da ausência de leitura, respeito ao próximo, somado a preguiça de aprender, desespero e medo. Bolsonaro é apenas uma farsa caricatural, cheio de palavras-chaves, frases banais vazias e já decoradas com discursos fáceis de entender devido a fraqueza e fragilidade de seus "pensamentos", quase uma cópia ou uma cópia mal feita de Moreira Franco nas eleições de 1986, no qual ele derrotou o grande Darcy Ribeiro com um discurso muito parecido de que acabaria com a violência em 6 meses, e o que Moreira realmente acabou foi com o projeto dos CIEPS (criado por Darcy Ribeiro), onde o estudo seria integral e o as crianças teriam educação, alimentação e ao menos uma esperança de futuro. Isso é a cara desse país que falta tudo, e que mal nasceu e já agoniza sendo protagonista da grande piada mundial, não se buscam reais soluções, isso dá força para caricaturas que estão mais pra palhaços. Imagina este "senhor" num encontro de Líderes mundial, o Brasil seria a vergonha alheia do universo, imagino o assunto sério e ele vindo e falando de NIÓBIO, de submissão das minorias, em pleno século XXI, cheio de falso moralismo e tradicionalismo, até porque, como vir com aquele papo conservador babaca de família tradicional, se ele mesmo se casou e se separou 3 ou 4 vezes?
Acho que seria praticamente o fim desse projeto de país que foi "descoberto" (lê-se explorado e disseminado) em 1500 mas que só "deixou" de ser colônia em 1808, e mesmo assim só porque foi usado de rota de fuga, esconderijo.
E ainda existem seus herdeiros de sangue (bolsonarinhos), que até agora também se mostraram muito fracos de argumentos, com embasamento zero e não só em conhecimentos históricos básicos como atuais, com seus discursos tão másculos e "certeiros" que na hora de um simples debate eleitoral, passam mal, dão xilique a ponto de quase desmaiarem, tudo porque uma de suas crias não tinha conhecimento para responder uma simples pergunta. Pelo menos isso já o(s) torna(m) diferentes do REI do NIÓBIO, que em suas entrevistas e debates, até mesmo com civis comuns, perde sempre no argumento, perdendo a cabeça, destilando palavras ofensivas e não dando o direito de resposta jamais. Volto ao assunto, imaginem essa caricatura num encontro de líderes mundiais? Se o mesmo foi humilhado até em debates políticos com universitários?!?!?! Precisamos rever nossos conceitos e exterminar nossos preconceitos, exterminar todo o egoísmo, tanto conservadorismo escroto, falso moralismo, e qualquer tipo de tradicionalismo, isso não é um ato contra quem seja, mas um pedido para que se respeite a individualidade de cada um, e ler e se informar sobre nossa história, pelo menos o básico já é importante, para que não se saia por aí passando vergonha e defendo políticos que são analfabetos políticos, estranho né? Querem saber se algum dia conseguirei regredir ou não ligar para nossa história a ponto de votar nessa caricatura? Não sei, talvez no dia em que ele aprender a fazer flexão.
Obs: Essa personagem fictícia caricatural, deveria ser investigado por falsidade ideológica pelo fato dele ser ele mesmo.
Assinar:
Postagens (Atom)






