quarta-feira, 11 de julho de 2018

"Inspirações de Um Dia Nublado"


Composição n° 1001

INSPIRAÇÕES DE UM DIA NUBLADO
(R.Candeia - 10/07/2018)

E nessa insônia que torna minha cama infinita
Vontade que grita de dentro da prisão
Meus passos no distante chão não ecoam
E nem se perdoam por tanta aflição

A eterna briga entre relógios
Nesse contágio em que a pele é autuada
Nos desejos quase sempre aleatórios
Em seus escritórios da madrugada

Queria ser o vinho e o colhido cigarro
Não ligo pro escarro das bocas que se beijam
E pelas partes que latejam toda realidade
Matam a santidade porque desejam

Até quando esse inverno de hoje
Dura dentro desse inverno
Gestos ternos escondidos existem
E não permitem o agir subalterno

Levando exatidão ao ilógico
Nessa insônia que faz girar e pensar
Quero os soníferos não farmacêuticos
E criar dialetos pra me expressar

terça-feira, 10 de julho de 2018

"Por Mil Vezes"





E cheguei a composição 1000, começou como uma brincadeira em 25 de novembro de 1999, mas que logo comecei a levar muito a sério, principalmente em 2005 quando montei minha primeira banda de Rock. Minha paixão pela escrita é inenarrável, logo eu que escrevo não tenho palavras pra explicar esse amor, acho que a explicação que mais se encaixa é VÍCIO! 



Composição nº 1000

POR MIL VEZES
(R.Candeia - 30/05/2018)

Mil anos que se passam que nada
Tenha a tragada das coisas premissas
Nessa imprecisa escarrada de ideias
Sentado no primeiro banco da missa

Mil vezes eu disse que não posso dizer
E escolher escrever ignorando o tom
O bom é o relativo de um agir intricado
Mesmo não estancado o que nos deixa são (em vão)

Mil palavras podem cair diante de um olhar
Onde o interpretar mísero pode lhe desfazer
Chutando o esmoler sem fé e sem pena
Aprendendo por antenas como se deve ser

Mil décadas não ensinam o que deveriam
E avaliam de acordo com toda a tristeza
Nessa beleza fajuta que evidencia
E cria toda essa infecunda estranheza

Mil salmos podem frugal intrujar
E assassinar o que há vivo de mais inaudito
O bonito afinal depende da circunstância
E em milésima instância eu espero ter dito

Mil vezes eu proferi
Coisas úteis inutilmente
E dentro de fúteis filtros
Ri, fumei e bebi litros de mentes




quinta-feira, 8 de março de 2018

"Véspera"



Composição n° 999

VÉSPERA
(R.Candeia - 08/03/2018)

A tal incompreensão
Onde canários viram dragões
Nas asas batidas das emoções
O racional por becos se perde

Nessa verve pras coisas que matam
As surpresas mudam de repente
Sendo descendente perfeito da origem
Criando vertigem num ar transparente

Nesse meu mundinho tão pequeno
Cabe um estonteante universo
Que cria e recebe versos vis
Tudo que fiz é chamado de inverso

E os minutos viram séculos
Colhendo ecos da fértil imaginação
Agindo como um tabelião corrompido
Seguindo a seta de uma placa sem direção

E não há cordas vocais suficientes
Pra descrever nossa deficiente habilidade
O esclarecer vira noite sem lua
E a moralidade nua não concede piedade




sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

"Pregas e Pregações"



Composição n° 998

PREGAS E PREGAÇÕES
(R.Candeia - 23/02/2018)

Acho difícil de algum dia existir
Algo igual ou pior que nós
Criamos tantos nós na linha da vida
E merecemos a partida à sós

Toda desgraça é sucesso de bilheteria
E toda essa azia no estômago do mundo
Não para um segundo de queimar
Conseguindo sujar o que já é imundo

Quem prega a liberdade e democracia
Sem perceber impõe sua censura
Em seus míopes extremos pensamentos
Criam livres suas ditaduras

A grama é proibida de crescer na terra
O mar não pode defender o céu
O breu não aceita o piscar da luz
E a cada ofegar se constrói um mausoléu

E o muro é construído com a intenção
Querendo a união tão bela
Numa tão singela segregação (disessão)
É só fronteira que eu vejo da janela

Quem prega liberdade e democracia
Sem a percepção de sua censura
Nos seus míopes extremos pensamentos
Cultivam suas livres ditaduras






sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

"Datilografia"




Composição n° 997

DATILOGRAFIA
(R.Candeia - 16/02/2018)

Coitado de você que não usa terno
E ainda acha moderno tudo isso
Precipício cavado por quem tem proteção
E a comemoração de quem é submisso

Os sujos e amarrotados
Os passados e bem engomados
E suas diferentes felicidades
Dividem a mesma cidade no sentido figurado

Os pais da desigualdade
Com poderes de envaidecer
Já está tudo pago
Pra quem mora no alto morrer

Vivemos o cômico que se aloja feito bala
Dentro dessa tragédia exagerada
Eterna piada de mentes sem lembranças 
E a esperança agora é amordaçada

Uma vida lida de opostas igualdades
Nos olhos reflexos da mesma vista
Toda aquela bela paisagem
Mas no corpo outro tipo de revista

Os filhos da desigualdade
Com suas vaidades de empobrecer
Acreditam em suas teses renovadas
Antes datilografadas em máquinas de escrever

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

"Axioma"



Composição n° 996

AXIOMA
(R.Candeia - 07/02/2018)

Malas desfilam cheias de genocídio
Qualquer homicídio se torna pequeno
Nesse agora sereno extermínio popular
Onde alugar honras é supremo

O cúmulo da desesperança ganha força
Nessa resistência de louça que temos
E vemos os três poderes obscuros se alimentar
Com talheres de onde não nos protegemos

O cigarro aceso queima na boca
Que em frações o deixa de tragar
O Brasil oclui sua avenida
Cobrando a conta de quem não pode pagar

O martelo é batido a favor de tudo
Que se mostra investidor
E o travestido observa as pedras
Que engendra o conceito vencedor

Apertar os passos, rezas e despachos
Nada e nem o amor tá conseguindo salvar
Somos o produto de toda essa faxina
Aquele caído na esquina costumava sonhar

O cigarro aceso queima na boca
Que em frações o deixa de tragar
O Brasil oclui sua avenida 
Cobrando a conta de quem não pode pagar



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

"Ok"



Composição n° 995

OK
(R. Candeia - 26/01/2018)

Ok, você tem direito
Esse mundo estreito conheço
E não é o terço que vai me convencer
Pro fim ignoro o começo

Como diz o ditado dos desocupados
Se não se tem o que produzir ou fazer
Fale mal dos outros
E tente (ao menos) se satisfazer

Que se dane a glória feia dos seres secos e infelizes
Onde seus chamarizes levam ao abismo
E nem de petisco servem pra essa vida
Tão desprovidas de beleza e eu cheio de cinismo

A loucura está no mal de quem não a vive
As alianças forçadas como máscaras tradicionais
Por uma surpresa talvez esperada
São os sãos com suas paranóias banais

Lindos são os prostitutos das mesas
Buscando até mesmo, pelo menos insultos
Desbravadores da vida de ampulhetas quebradas
Mostrando em seus versos que não são incultos

Igual a um idoso abandonado nas últimas
Esperando sem esperança por seus filhos
Que buscam o prazer esquecendo o passado
Como um ser vivo atado em cima de um trilho

Arrumando em cada expirar empecilho
Com seus utensílios que ninguém utiliza
Pior do que você pisar na merda
É você ser a merda em que se pisa