sexta-feira, 17 de abril de 2015
"Realidade de Hoje"
Composição nº 783
REALIDADE DE HOJE
(R.Candeia - 08/04/2015)
Eu ando apaixonado demais
Por minha vida antiga
Onde quase tudo era perfeito
Pra dormir não precisava de cantiga
Me debruço na janela e sonho acordado
Nesse espaço que é proibido pular
Meu lar é minha maior proteção
Onde estão os bons ares pra entrar?
Tudo mal chegou e já se acabou
E já torço para o término do mês
A barriga satisfeita já foi pro sacrifício
Meu ofício agora é viver com o talvez
Mas com essa merda eu não me acostumo
Então fumo o que tenho com café
A fé só funciona de pé pra luta
Nessa puta batalha que a noite diz "até"
O pior choro vem do não alívio
Esse convívio é muito amedrontador
O pavor não pode ser nossa vestimenta
Que não esquenta e gela nosso interior
"Museu Interditado"
Composição nº 782
MUSEU INTERDITADO
(R.Candeia - 07/04/2015)
Vem e me diz o que você quer
Pra ser mais feliz assim em mim
Na cor que escolhemos para nós
Na visão que preferimos sempre ver
Nas palavras que trocamos sem querer
Nas frases que queremos sempre ouvir
E vir lado a lado pra enfrentar
O olhar de tudo que vem destruir
O aqui é um objeto pra provar
E testemunhar o que pode redimir
Reprimir o que vem nos acordar
É ter o bom senso de dormir
E assim o nosso quadro é guardado
Foi fechado o museu da exposição
O retrato desenhado ficou mudo
E por nós, tudo sofreu transformação
"Cusparada"
Composição nº 779
CUSPARADA
(R.Candeia - 02/04/2015)
Choque-se e tenha muito medo
Dê um trago longo e bem forte
No desmatamento foram-se os trevos
Terra infértil pra plantar a sorte
E em todos os recortes de jornais
Um álbum de fotos tão caótico
Com ótimos sorrisos sofridos
Temos vivido abraçando o exótico
E aquela cusparada que você levou?
O que sobrou do sangue derramado?
E o estado armado que nos dá o alerta
E só liberta o povo pra ele ser caçado
E assim nós fazemos as trincheiras
E as brincadeiras foram todas canceladas
Numa cilada bem escrota e perigosa
E em cada prosa uma pessoa é baleada
No dia seguinte plantam provas contra nós
Estamos sós, coagido e tomando dura
E idiotas ainda falam em intervenção
Animação estranha de quem vive na censura
"Presépio"
Composição nº 778
PRESÉPIO
(R.Candeia - 31/03/2015)
Vejo presépios da situação humana
Em camas que parecem calçadas
Largadas na indigência moral
A prova oral de quem critica é gargalhada
E há quem fale que eles querem ser assim
Que é mais fácil viver na navalhada
Que o ruim do mendigo é a malandragem
Mas toda noite pode ser o fim da estrada
Presépios de um descaso desumano
Não há plano de mudar essa verdade
A bondade é só depois cobrir o sujeito
Mau elemento que aterroriza a sociedade
Veja o Cristo Redentor que é tão bonito
E pra nós, nem aflito, cruza os braços
O país é realmente um paraíso
E do congresso sempre vem aquele abraço
"Renascimento"
Composição nº 777
RENASCIMENTO
(R.Candeia - 31/03/2015)
O tempo é sempre roubado pela saudade
Que nos leva a noção do pouco que temos
E vemos tudo isso logo se esvair
Porque aqui é um aviso que não lemos
E fizemos com que tantas mágoas
Nas águas pudessem se escorrer
E no decorrer de não ficar calado
O nosso melhor lado tende a aparecer
E no falecer de cada palavra doente
Rangemos os dentes todos felizes
As cicatrizes agem como túnel do tempo
Mas em nosso templo salvamos as raízes
Fazer renascer o que era saudade
Invade tudo loucamente de antemão
"Pois não?", nos atendeu nossa sanidade
Nossa verdade é mais profunda que meditação
"Na Ponta do Nariz"
Composição nº 776
NA PONTA DO NARIZ
(R.Candeia - 31/03/2015)
E no papo furado do governo
Me interno aqui dentro de mim
E assim eu vou me convencendo
Que a cor do mundo hoje é carmesim
Atitudes absurdas são tomadas
E nas estradas só buracos, não há luz
Essa cruz só incomoda e não ajuda
E as doenças só pioram pelo SUS
Onde estão todas as coisas que não são cumpridas
Nas compridas promessas de consolação?
Hidratando o povo seco de chorar, na saliva
Um viva aos milagreiros de eleição
Antigamente só faltava um dedo
E sem segredo hoje falta muito mais
Mas só não sigam os azuis do aviário
Senão seremos otários no nariz de um rapaz
"Básica"
Composição nº 775
BÁSICA
(R.Candeia - 29/03/2015)
Ando por caminhos estreitos
E não sei bem pra onde ir
Me arranho todo nesse muro
Que acabaram de construir
E até nas horas eu me perco
Provocando em minha mente um motim
Pondo um fim em tudo que regride
E que agride apedrejando o sim
E o que fizeram com esse mundo
Num imundo ato de covardia
E todo dia nós catamos segundos
Sorrindo menos do que a gente podia
Mas num momento tudo vai clarear
E vai passar como um filme ruim
Produzido assim de qualquer jeito
Apontando suspeitos deste grande estopim
E sempre que a razão vier me mostrar
Que o azar é pura imaginação
E que a sorte é gerada aqui dentro
Servindo de semente pra um nova estação
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