sábado, 21 de julho de 2012

"Já Disse"


    


   


      JÁ DISSE
(R.Candeia - Jun/2012)

Se me olham meio assim
Com jeito de reprovação
Mando com educação
Tomarem no meio do cu
Porque sou educado
A fama de bicha, bêbado e drogado
É apenas uma ilusão
Não sou tão bom assim
Apenas tento fazer minha parte
Porque a total caretice
Pertence ao reino da chatice
Que julga com cara de bunda
Que ficou sem papel
É a sociedade que sustenta o estado
Em um casamento sem véu
Num egoísmo de quem demora no banho
Retirem suas ovelhas do rebanho
Não existe Papai Noel
Vamos protestar contra nós mesmos
Não passamos de revolucionários serenos
Nos intoxicamos com nosso próprio veneno
Ouça ou morra na mesmice
Pronto, mesmo querendo, já disse...

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Tempo"


           TEMPO
(R.Candeia - Junho/2012)

Chorar agora é perda de tempo
É difícil andar por edifícios
Tudo aqui no vazio faz falta
Desde meu cachorro
Até a minha namorada
O mundo parece outro
Girando de uma forma fria
Trocando lâmpada sem equilíbrio
Assim olho e me distraio
Vendo velhas e novas
Fotografias

E rezo para tudo voltar
Claro que com inocência
A minha demência é doméstica
Amestro com perfeição
E assim passam os dias
Como um raio ou trovão
Que debocha, ri e brinca
Com a minha percepção

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Fuzilamento Ocular"



FUZILAMENTO OCULAR
(R.Candeia - Maio/2012)

Me dê sua consciência agora
Que eu te dou um pouco deste liquido
Que fez eu perder a minha
Longe de mim minha sombra caminha

Carrego a doçura enjoativa criada apenas
Por um doce néctar embriagante
Que seca a fonte das veias, mas rega
O mar trêmulo que assusta os navegantes

Ofereço um sorriso até pra quem não merece
Dando um baque tão forte que faz o cinto travar
Mas esse sorriso não é uma fina vingança
Vingança é assistir a um Black e White quebrar

Loucura não despeja o sentimento de seu lar
Apenas separa a mente do corpo
Lançando olhares casuais e sem foco
É quando sem querer quebramos um copo

E num fuzilamento bem ocular eu digo
Que estar sempre duas doses acima
Não é pra qualquer um nesse mundo
Seguro o copo inclinado e derramo minha sina

terça-feira, 15 de maio de 2012

Meio “On The Road”





   MEIO "ON THE ROAD"
   (R.Candeia - Maio/2012)

Domingo é tão comum de arrasar
Vinho da garrafa todo liquidado
E num cigarro acabado pode brotar
Aquele meu lado belo e desvairado

Será que sou assim tão fugaz?
Também não sou um simples galardão
Que serve apenas de consolo
Pra quem tá na vida só de participação

Quero poder e ser maior pra mim
E fulgurar de forma plena
Saindo dessa fuligem que esconde
No que é bom o que te envenena

Então sigo meio “on the road”
Omitindo verdades às vezes cruéis
Pois a vida é como um teatro de rua
Devemos escrever nossos próprios papéis

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Fronteira"


FRONTEIRA
(R.Candeia - Abr/2012)

Às vezes não me reconheço
E quando isso acontece
Morro de medo de mim mesmo
Numa fronteira que separa eu de mim

E numa convulsão de pensamentos
Metralho com raiva ressentimentos
Fazendo do momento um derrame
Que me consome contra o vento

Que me vira tormento e trás insônia
Organizando cerimônia de idéias ruins
Ou num sono pesado de pesadelos
Que mesmo dormindo arrepia meus pelos

Tem coisas que prendo e me arrependo
Há coisas que solto e me revolto, mas
Não há nada melhor que se olhar no espelho
E fazer da própria consciência um conselho

Pois a nossa própria consciência
É o melhor conselho que podemos ter
Porque não é comprada e nem vendida
É o ponto de partida pra evolução do ser

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Concreto Fresco

Foto: Rafaella Garcia.


CONCRETO FRESCO

(R.Candeia - Abr/2012)

Sou viciado em amores impossíveis
E em planos supostamente infalíveis
Que só servem mesmo pra falhar
Então me distraio e bato guimba no café

Fumo um cigarro na intenção de te esquecer
Depois fumo outro na intenção de fumar mesmo
Procuro por mim nas horas à esmo
Num texto sem letra que não possui fim

Recebo golpes das palavras sem base
E o argumento vira um concreto fresco
Daqueles que se desmancham a cada pisão
Tornando bem sinuoso o que seria o chão

Me encontro numa folha solta ou rabiscada
Numa bicha bêbada gritando na calçada
Ou numa marca na pele que significa eternidade
Pois o pensar realmente não pode ter idade

Observo a ridicularização dos valores
Na qual a (única) dor é não agradar ao espelho
Por isso (que) não dou inúteis conselhos
Cabeças sem cérebros não sentem dores

Porque não podem entender ...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ainda é Hora


AINDA É HORA
(R.Candeia - Mar/2012)

Cigarro na mão, copo cheio na mesa
Cerveja, loira gostosa boa pra brindar
Emoções a flor da pele, ah, na pele
Na pele vem o arrepio difícil de explicar

A privação é daqueles de sonhos falsos
Carteira sempre cheia e coração vazio
No fundo é aquele frio que pode matar
É como a quarentena da tristeza no olhar

Não esqueça, o futuro é daqui há um segundo
Faça planos pra agora que ainda é hora
E não aja como um frágil cordeiro
Pra depois não se trancar e chorar no banheiro

Imagens tão bonitas na verde idade
A verdade é sempre dita até na mentira
E nenhum homem tira alguém pra dançar
Sem aquele desejo carnal de conquistar

Meu cigarro acabou, tudo está fechado
O garçom me expulsa exaustado
Pois a noite é o seu quartel
Não sou coronel, mas no sistema ele é soldado

Não esqueça, o futuro é daqui há um segundo
Faça planos pra agora que ainda é hora
E não aja como um frágil cordeiro
Pra depois não se trancar e chorar no banheiro