sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Fuzilamento Ocular"



FUZILAMENTO OCULAR
(R.Candeia - Maio/2012)

Me dê sua consciência agora
Que eu te dou um pouco deste liquido
Que fez eu perder a minha
Longe de mim minha sombra caminha

Carrego a doçura enjoativa criada apenas
Por um doce néctar embriagante
Que seca a fonte das veias, mas rega
O mar trêmulo que assusta os navegantes

Ofereço um sorriso até pra quem não merece
Dando um baque tão forte que faz o cinto travar
Mas esse sorriso não é uma fina vingança
Vingança é assistir a um Black e White quebrar

Loucura não despeja o sentimento de seu lar
Apenas separa a mente do corpo
Lançando olhares casuais e sem foco
É quando sem querer quebramos um copo

E num fuzilamento bem ocular eu digo
Que estar sempre duas doses acima
Não é pra qualquer um nesse mundo
Seguro o copo inclinado e derramo minha sina

terça-feira, 15 de maio de 2012

Meio “On The Road”





   MEIO "ON THE ROAD"
   (R.Candeia - Maio/2012)

Domingo é tão comum de arrasar
Vinho da garrafa todo liquidado
E num cigarro acabado pode brotar
Aquele meu lado belo e desvairado

Será que sou assim tão fugaz?
Também não sou um simples galardão
Que serve apenas de consolo
Pra quem tá na vida só de participação

Quero poder e ser maior pra mim
E fulgurar de forma plena
Saindo dessa fuligem que esconde
No que é bom o que te envenena

Então sigo meio “on the road”
Omitindo verdades às vezes cruéis
Pois a vida é como um teatro de rua
Devemos escrever nossos próprios papéis

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Fronteira"


FRONTEIRA
(R.Candeia - Abr/2012)

Às vezes não me reconheço
E quando isso acontece
Morro de medo de mim mesmo
Numa fronteira que separa eu de mim

E numa convulsão de pensamentos
Metralho com raiva ressentimentos
Fazendo do momento um derrame
Que me consome contra o vento

Que me vira tormento e trás insônia
Organizando cerimônia de idéias ruins
Ou num sono pesado de pesadelos
Que mesmo dormindo arrepia meus pelos

Tem coisas que prendo e me arrependo
Há coisas que solto e me revolto, mas
Não há nada melhor que se olhar no espelho
E fazer da própria consciência um conselho

Pois a nossa própria consciência
É o melhor conselho que podemos ter
Porque não é comprada e nem vendida
É o ponto de partida pra evolução do ser

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Concreto Fresco

Foto: Rafaella Garcia.


CONCRETO FRESCO

(R.Candeia - Abr/2012)

Sou viciado em amores impossíveis
E em planos supostamente infalíveis
Que só servem mesmo pra falhar
Então me distraio e bato guimba no café

Fumo um cigarro na intenção de te esquecer
Depois fumo outro na intenção de fumar mesmo
Procuro por mim nas horas à esmo
Num texto sem letra que não possui fim

Recebo golpes das palavras sem base
E o argumento vira um concreto fresco
Daqueles que se desmancham a cada pisão
Tornando bem sinuoso o que seria o chão

Me encontro numa folha solta ou rabiscada
Numa bicha bêbada gritando na calçada
Ou numa marca na pele que significa eternidade
Pois o pensar realmente não pode ter idade

Observo a ridicularização dos valores
Na qual a (única) dor é não agradar ao espelho
Por isso (que) não dou inúteis conselhos
Cabeças sem cérebros não sentem dores

Porque não podem entender ...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ainda é Hora


AINDA É HORA
(R.Candeia - Mar/2012)

Cigarro na mão, copo cheio na mesa
Cerveja, loira gostosa boa pra brindar
Emoções a flor da pele, ah, na pele
Na pele vem o arrepio difícil de explicar

A privação é daqueles de sonhos falsos
Carteira sempre cheia e coração vazio
No fundo é aquele frio que pode matar
É como a quarentena da tristeza no olhar

Não esqueça, o futuro é daqui há um segundo
Faça planos pra agora que ainda é hora
E não aja como um frágil cordeiro
Pra depois não se trancar e chorar no banheiro

Imagens tão bonitas na verde idade
A verdade é sempre dita até na mentira
E nenhum homem tira alguém pra dançar
Sem aquele desejo carnal de conquistar

Meu cigarro acabou, tudo está fechado
O garçom me expulsa exaustado
Pois a noite é o seu quartel
Não sou coronel, mas no sistema ele é soldado

Não esqueça, o futuro é daqui há um segundo
Faça planos pra agora que ainda é hora
E não aja como um frágil cordeiro
Pra depois não se trancar e chorar no banheiro

sexta-feira, 23 de março de 2012

Um Dia Quem Sabe

Eu muito doido na minha festa de 30 anos.


UM DIA QUEM SABE
(R.Candeia - Mar/2012)

Um dia quem sabe
Ou uma noite também
No balanço da vida
Ninguém sabe o que vem

Tudo parado na vida que corre
O corpo cansado que não morre
Me desminto em cada porre
Num espetáculo sem fim

Em cada tentáculo me embolo
Nas histórias inventadas me enrolo
Tudo que eu preciso é de um solo
Que vibra tímpanos e faz viver

Tudo é muito mais do que parece
De momentos felizes todos carecem
Dos poucos que surgem ninguém esquece
Faço então da risada a minha prece

quarta-feira, 21 de março de 2012

Declaração




DECLARAÇÃO

(R.Candeia - Mar/2012)

Somos seduções perdidas
Olhares quentes indiretos
Mas amamos uma intriga
Como passagens de volta, sem ida

Não morro de overdose, e sim de tédio
E não há remédio que resolva
A sombra nova não é conhecida
Nada é tão certo como o errado nessa vida

Seja um coração pulsante
Mesmo que errante
E não apenas um enfeite
Empoeirado na estante

Palavras pesadas podem ser de quem ama
Como declarações podem ser falsidades
A piedade sempre vem de quem humilha
É a humildade espirrada da autoridade

A sedução nem sempre é pensada
É vivida no olhar de suspense
Mas não pense ser impossível
É como a covardia de quem se sente