terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Contas Sagradas"



Composição n° 885

CONTAS SAGRADAS
(R.Candeia - 20/12/2016)

Contas "sagradas" são emprestadas
Para desvios sujos, mas não tão loucos
E improváveis quanto abrir mares
E mais fácil abrir bares evitando sufocos

Decifro as pessoas pelos seus olhares
Que acabam se transbordando em suas taras
Em forma de sorriso, o que é preciso é o lutar
Nessa imensa vida malandra de mil caras

Em meus olhos a visão gravada colorida
De uma sinuosa curva sem quadro
As necessidades sempre se encontram
Se esbarram, brigam, e ficam de quatro

Hoje foi linda a sincronia dos sinais
Que não foram os vitais que tanto apanham
Decido devido aos itens óbvios de esquinas
Numa epidemia de insônia dos que sonham





"Luz Bêbada"


Composição n° 884

LUZ BÊBADA
(R.Candeia - 20/12/2016)

Não penso em nada de ruim
Sei a validade do que pode ser bom
O chão é o amigo único a ser pisado
E de cada lado procuro evolução

Todas as vidas são bem distintas
E não há cor de tinta que iguale
O nome dos passos e seus segredos
Num estranho anseio que nos engole

Quero a oposição forte ao ruim
Nenhum fim pode acabar com nada
A esperança plantada em meu jardim
Ignora assim a visão esquartejada

Então não desfaço o meu espaço
E em cima do traço peço um traçado
E a luz bêbada brilha com ênfase
No êxtase do que já foi calibrado


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

"Rasgando Sentidos"


 

Composição n° 883

RASGANDO SENTIDOS
(R.Candeia – 17/12/2016)

Rasgam livros nesse mundo quase livre
Pros que querem somente prender
Nesse mundo onde fantasia é salvação
E até desgraças são tidas como abençoada

A alienação é o banquete dos que têm muito
E a miséria dos que labutam pra algo terem
E sobre a tragédia agora eu descubro
E ainda procuro e estudo sobre a mental

O ego inflado pelo vazio está na moda
Nessa roda que gira louca e parada
Demonstrando nadas em pífias exposições
Onde prega uniões em ações separadas

Realizando ilusões à própria visão sem tratos
Nos tantos enfeites baratos comprados de graça
Tudo passa nessa rotina de coisas rotineiras
O auge da besteira é a vitória da desgraça

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"Derrisão"


Composição nº 882


DERRISÃO
(R.Candeia – 04/08/2016)

Poetas escondidos por medo das palavras
Refugiados de um ato sem crime
Que só reprime quem pode ensinar
Então dou minha derrisão pra esse filme

Artérias estouradas por tanta pressão
Em que mãos comemos de regime
A ideia firme é perseguida pela lei
Mas nos banheiros sujos tudo se redime

Nessa pobre festa que inventaram
Esqueco meu relógio em algum lugar do mundo
Nessa aflição que deprime os que falam
E vangloria os que tapam e se fazem de mudo

Na desnatureza que consome o destino
Tudo se fragmenta em prol da desilusão
Numa paixão bastarda pelo silêncio
A perfeita saída é na contramão

"Veleidade"


Composição nº 881


VELEIDADE
(R.Candeia – 04/08/2016)

Não se desespere com sua falsa verdade
Se agarrando em santidades cruéis
Ajoelhado em limitações fiéis que agridem
Dando palpite no canonizado banco dos réus

De acordo com o eterno nada é por você
A conquista não é sua e a derrota foi pro bem
E o que vem já foi há muito decidido
Nos loucos manuscritos da vontade do além

Acredito em qualquer coisa que posso acreditar
E não creditar nada a si é a mais pura maldade
Inversão de identidade pra lá de psicótica
Aleijão crônico gótico da fatal sobriedade

Essa veleidade é exposta em todo canto
No espanto cego de quem mesmo não se sente
Jogar a explicação para o abstrato resolver
É ignorar ter as chaves da corrente






"Aforismo"


Composição nº 880


AFORISMO
(R.Candeia – 30/07/2016)

No silêncio gritante que ecoa agora
Sensibiliza as horas a golpes de mudez
Na nudez dos sentidos envergonhados
Todos os lados evitam a lucidez

Toda chegada após o adeus acho bonito
Desprezo o mito que mata e mente pra nós
E em cada pós vida espero dizer
Que o mais delicado prazer é à sós

As bocas se batem sem misturar salivas
Isso não ativa o que há e nem o que somos
Sinto que estamos brincando com o tempo
Só mentalizo o momento que nos encontramos

Mágoas mortas afogadas a seco
E em qualquer beco resgatamos abraços
E nos traços tortos nos desenhamos
E quando vemos atamos até nossos cadarços

segunda-feira, 4 de julho de 2016

"Esse Mundo"


Composição nº 879

ESSE MUNDO
(R.Candeia - 01/07/2016)

Esse mundo cheio de incertezas
Instiga o prazer do desejo de vingança
Não importa a herança que virá
O se salvar é agora a melhor dança

Os sentidos que se perdem em esconderijos
Não se dirige nas rotas anunciadas
E na calada de não saber onde se está
Ficará toda obra eternizada

Puxam os cabelos do mundo na tentativa
De doma-lo pelo menos num instante
E perante a invisibilidade dos deuses
Somos fregueses do doravante

Não fique ausente de si
Perto daqui pode se ver a saída
Esse mundo e essa vida se esbarram
E retratam a marca mais parecida

Pondo a salvação em malas
Ironizando salas cheias de rancor
E a dor o mundo ignora
Sendo jogada fora em qualquer corredor

Vou fundo no mundo
Na esperança de faze-lo girar ...