quinta-feira, 16 de abril de 2015

"Pulsação"



PULSAÇÃO
(R.Candeia - 21/01/2015)

As mãos do mundo nos puxam
Não há carinho dela por nós
Seus braços são feitos de cacto
Nesse pacto, nossas tripas viram nós

O coração segue numa forte pulsação
Que bate de acordo com a felicidade
O mundo vem derrubar e basta você saber
Que o melhor de viver beira a insanidade

Ter um ombro certo é a melhor sensação
Poder dar as mãos também pela alma
Numa calma tão bela que isola o mundo
Num show completo que merece palmas

Cuidado com as pernas do mundo
Sua rasteira é longa e quase fatal
Pro mal não se cobra nem um centavo
Acordo e não me travo em posição fetal

"Errata"


ERRATA
(R.Candeia - 20/01/2015)

O paraíso aqui na terra
Está em nossas mentes
E mora ao lado do inferno
Fontes de aguardente

O puro pulo pra sublimação
E a reação franca e imediata
Nem tudo está em nossas mãos
Só quem se garante assina a errata

Me mostro do jeito que eu nasci
Sem pudor, dor e narcisismo pleno
E até o sereno foge de mim
Porque no fim envergonho o obsceno

A vida não precisa de tantos conceitos
Que de qualquer jeito são antecipados
Pelos reis de seus próprios jardins
Com fins lucrativos para os seus retardos

terça-feira, 14 de abril de 2015

"Golpe Rápido"



GOLPE RÁPIDO
(R.Candeia - 07/04/2015)

A balança desequilibra demais
Parece que em mim tudo vem mirar
Mas não estou parado esperando
Tudo por milagre melhorar

Nessa vida somos apenas inquilinos
A chegada vem antes da partida
É a invertida ordem que explica
E suplica pela emoção contida

O mundo tem cara de diarréia
E eu agora, sem nada, o acato
Sou pacato, mas não otário, garanto
Por enquanto sou bicho-do-mato

Não precisam guardar cadeira
Levantei minha bandeira branca
Não se arranca o que eu tenho
E por onde venho nada se tranca

"Transição"


(Composição nº 785)

TRANSIÇÃO
(R.Candeia - 09/04/2015)

Nesse dia ainda bem calmo
Com sua manhã em que a lua aparece
E enaltece nua sua realeza
Me guio na beleza da meta que enriquece

O céu está como a minha mente
E sinto que o dia sente esse clima
E libera por cima a transição das fases
Que são vorazes obras-primas

E na minha ansiedade incendiária
Caio numa numa otária desanimação
Numa distração que perde campeonato
É o estelionato de concentração

Mas a certeza eleva o meu desejo
E lembro do beijo que selou o bom dia
Que antes se perdia na acomodação
A doação de si só faz receber alegria


"Placas"



PLACAS
(R.Candeia - 27/02/2015)

O embaraço ao dizer o que pensa
O nó na garganta tranca o pranto
O espanto é não querer ser feliz
Cultivando o inferno em cada canto

O tratado de paz merece ser assinado
Mas a bandeira branca deve se hastear
A estupidez gera tanta cegueira
Pra numa chuva de besteiras se afogar

Assopre as nuvens negras pra longe
Pra perto de um monge que não liga pra nada
A mente é estrada, ideias são placas
Toda essa sucata pode ser reciclada

Só não tente me convencer com uma arma
Não preciso disso pra saber o que quero
E não me desespero quando fico na dúvida
Como um relógio, o ciclo natural é o que espero

"Transparência"



TRANSPARÊNCIA
(R.Candeia - 06/04/2015)

Minha transparência vai tomar a cena
E uma hora alguém vai perceber
Me sinto numa arena com leões
E nas multidões vou desaparecer

Palavras pesadas, olhares de ofensa
Como uma imprensa sensacionalista
A lista triste é bem pequena
Mas me engrena de forma realista

Não quero sufocar mais ninguém
Com essa minha falta de ar
E não ligar mais pro desespero
Acabou o tempero, o jeito é salgar

Encha o balde e jogue água
Numa corrente afogando o que não presta
E o que me resta é o invisível
Nesse incrível momento que me testa

Acabou de vez o papel pra rascunho
Fazendo as anotações saírem pelo ralo
E em cada punho sustento o meu mundo
Sem o deixar cair sobre o meu calo

"Dormência"



(Composição nº 786)

DORMÊNCIA
(R.Candeia - 14/04/2015)

O que não derruba, saiba, favoreço
Esqueço o ruim e logo vou em frente
O entorpecente fica louco comigo
Porque em meu abrigo tudo fica dormente

Sei claramente o que nos escurece
E tudo que carece de atenção
Minhas mãos viram fazendas
Me entenda, mesmo que na ilusão

E nessa triste demência
O vácuo se reflete nos espelhos
Em fotos que parecem repetidas
Com expressões que dispensam conselhos

Carrego o mundo cheio em meus bolsos
Não faça alvoroço quando minha calça cai
E tudo vai arrumado de encontro ao nada
Plantando granada na porta de quem sai

Não ser burro muitas vezes é burrice
Queria ignorar tudo que disse o sábio
E como muitos viver numa cápsula protetora
E não saber nem o que sai dos meus lábios

E nessa triste demência
O vácuo se reflete nos espelhos
Em fotos que parecem repetidas
Com expressões que dispensam conselhos