quinta-feira, 20 de março de 2014

"Escuridão Acesa"



ESCURIDÃO ACESA
(R.Candeia - 07/03/2014)

Palavras que ecoam vazias
Surgem do nada interno
O externo pode mostrar o inferno
E derrubar o céu que você sentia

Seres com o mesmo enredo
Sem nenhuma coragem de mudar
Almas penadas pelo mundo, a agonizar
Escudo nas agulhas, ampôlas de medo

Suas caras medonhas e bizarras
Tornam qualquer ameba invejosa
Será essa banalidade contagiosa?
No desuso do cérebro, a boca só escarra

Em qual esgoto se criou essa praga?
Bosques destruídos pela não lucidez
Qual neurônio começou essa escassez?
É uma forte escuridão que não se apaga

sábado, 1 de março de 2014

"Coisa Pessoal"




COISA PESSOAL
(R.Candeia - 27/02/2014)

Tenho o meu jeito de ser
Não sei bancar o idiota
Para agradar ninguém
Ou gosta ou não gosta

Mundo infeliz de falsa felicidade
Por todos os lados só insanidade
E depois o louco sou eu
Tudo passa, mas esse golpe doeu

A cada dia que passo aqui
Me sinto cada vez mais entranho
A adaptação vai piorando
Tento achar chão num buraco sem tamanho

Não me envergonho por não aceitar tudo
A aceitação é uma escolha pessoal
As consequências sempre existirão
Nossa força às vezes vem da textura do chão

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

" "Evolução" "






"EVOLUÇÃO"
(R.Candeia - 25/02/2014)

Me impressiono bastante com a evolução
A evolução da regressão humana
Onde se dá valor à falta de valores
Dores não percebidas na não percepção

E toda e qualquer ação gera a reação
Mas somente em quem pode perceber
E o mundo vem a receber um banho de lama
Que bloqueia e derrama a boa informação

Me sinto um alienígena perdido
Num mundo onde o pensamento é duvidoso
E fico curioso quando eu mesmo me pergunto:
Quando e por quê chegamos nisso

A verdade é que está bem difícil
Mas acho que sempre foi assim
Deve até ter piorado um bocado
E penso, será que isso terá fim?

"Vitrine"

       

       VITRINE
(R.Candeia - 25/02/2014)

Estou sem paciência pra tudo
Por isso que bebo e escrevo poemas
Nem que só minha pessoa mesma as leia
Vejo todos como areia solta num furacão

Treino agora meu coração acelerado
Que só bombeia por quem merece
Faço do boteco o meu culto, minha missa
Onde cada brinde é a minha prece

Não cultive por dentro um vácuo
Arrume direito sua vitrine
Apareça sim, mas por coisas boas
E não pelo vazio que o mundo imprime

Quando o coração por algum para
Vemos que tudo isso não é nada
Nossas vidas são inúteis peças no infinito
Invisível a olho nu e um não escutado grito


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"Palavras Sinceras"





PALAVRAS SINCERAS
(R.Candeia - 20/02/2014)

Amanhã é dia de bar com os amigos e quero beber bastante
É que neste instante me sinto um desejo apertado
De um lado que a luz mau pode tocar sem ferir
Eu só quero sorrir dos erros que eu cometi

E quando o dia nascer ainda não estarei dormindo
E tudo de bom que vem vindo eu abraçarei
Sou o rei, pelo menos aqui dentro de mim
Sem início e fim que tornam tudo tão previsível

Pode olhar que é bem visível na minha cara
Essa tara por não querer estar sozinho
Por isso quando caminho chamo todos
E mesmo loucos sabemos quem somos

E loucos uma hora vamos adormecer
Mesmo depois de tudo amanhecer
Nossas misturas sempre são sagradas
Nem flor e nem granada, apenas palavras

"Punidos"



PUNIDOS
(R.Candeia - 13/02/2014)

Violência, sangue, vingança e dor
Pessoas amarram outras em postes
O tiro rola solto à queima roupa
Num mundo triste com ideal boçal

A TV manipulando toda a população
Do rico ao mendigo, do padre ao pastor
E pessoas de olhos fechados pra tudo
Achando bonito o sangue em suas mãos

O sangue na mão é o alívio dos brutos
Mas o sangue no peito não é pra ninguém
Polícia que mata cruelmente sem preparo
É a imagem que se reflete no povo

Se a nossa segurança nos fere
Vamos esperar mais o quê? Mais do quê?
Ônibus incendiados, cérebros derretidos
Crimes punidos são os que não foram cometidos

Ninguém na verdade sabe o que diz
O povo fica contra o povo, invertem-se os bandidos
Como se encontrar nesse mundo
Se o próprio mundo está perdido?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"Nem Morfina"



NEM MORFINA
(
R. Candeia - 15/01/2014)

Toda cachorrice humana
Jamais será digna de ser canina
E os olhos do mundo se fecham
Dias que doem, não adianta morfina

Revoltas em nossa frente
A destruição do mundo tem sentido
Somos roubados a quinhentos anos
Vândalos são aqueles dos partidos

Máscaras foram proibidas
Mas e a máscara do governo?
Que encobrem sujos segredos
Brincando com nossas vidas

Tenho mais medo dos "fantoches azuis"
Reflexão da pífia educação do país
Isso sem falar do SUS, susto
Um surto, a "sorte" de um povo infeliz