A sobriedade está a um passo da loucura Por isso peço um cachorro engarrafado Porque preciso agora mesmo fugir disso Não quero viver com meus olhos vendados
O amanhecer já está chegando aqui Ele é todo o bem que a vida nos faz É a natureza que linda enobrece E a certeza que sua onda nos trás
É o eterno hoje vestido de futuro É o “decidido” que sempre desce Mas se esconde atrás do muro Com suas tristes falsas preces
Então agora eu pego e leio a sua mão Como uma fria cigana descaralhada E vejo que você é uma pobre invenção Apenas um produto com data marcada
Vamos hojecer porque assim é o certo Mas é claro que do melhor jeito Usando um pingo de personalidade Abrindo espaço e alargando o estreito
É um dia bem cinzento lá fora Há maneiras de mudar tudo isso E se torna mais um compromisso Que precisamos de frente encarar
Lágrimas nem sempre falam a verdade Elas só mostram à felicidade Que o renascimento pode ser bom E que a vida não é um simples sabão
E o abraço quase sempre é positivo É o sentir-se bem, é a frase no afirmativo É a fuga do isolamento indesejado Com tudo virando nada ao seu lado
O cinza se transforma em gotas lá fora E a mente transforma em gotas os tormentos Não podemos nos sentar conformados Temos que dar um engov ao tempo
O querer nada mais é do que conseguir São sinônimos que vivem em nós Pobres são aqueles que são tão sós Que não vivem a poesia pra sorrir
Então venha, pode mergulhar em mim Nossas palavras são da mesma linha É como uma bela manada que caminha Ainda temos verbos lindos para conjulgar
Então seja, pode fazer parte de mim Porque o ajudar só existirá no momento Que dois virarem um no mesmo espaço Mas não o da matéria e sim do sentimento
Há exatos 20 anos o Brasil perdia um dos maiores poetas e compositores da musica popular brasileira, do rock nacional, considerado por muitos da imprensa e alguns especialistas como o Noel Rosa do rock brazuca, pelo fato de ter também morrido jovem (32 anos) e mesmo assim ter deixado mais de 200 canções, com muitas delas premiadas e gravadas por artistas como Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nana Caymmi !
Cazuza nasceu no dia 04 de abril de 1958 e nos deixou em 07 de julho de 1990, ambos em Ipanema, na cidade maravilhosa.
Cazuza era o garoto que amava Janis Joplin, Jimi Hendrix, Beatles, Dalva de Oliveira, Cartola, Caetano, Gilberto Gil, Sex Pistols, Raul Seixas, Rita Lee, Ney, João Gilberto, ele realmente era meio Bossa Nova e Rock n' Roll, e com muito samba na veia, e sempre procurou uma ideologia pra viver, dizia que a burguesia fede, pois era burguês mas era artista e que estava ao lado do povo, tentando sempre fazer o Brasil mostrar a sua cara do mesmo jeito que ele fez, como ter sido por exemplo a primeira pessoa famosa a assumir publicamente em fevereiro de 1989 ser soro positivo numa época em que o preconceito era muito maior, época em que a AIDS era chamada de "Câncer Gay", sem ter medo e sem nunca ter escondido o que ele realmente era.
Sua facilidade para fazer amizades era incrível: Frejat, Lobão, Angela Ro Rô, Léo Jaime, Sandra de Sá, Rita Lee, George Israel, Gil, Caetano, Ney, Fágner, Erasmo Carlos, entre outros cantores e artistas que se perde até as contas, o que gerou inúmeras parcerias, algumas até supreendentes como com o Supla, Orlando Morais, Gilberto Gil, Rita Lee e até mesmo João Donato, ele definitivamente era a figura carismática dos anos 80.
Sua carreira foi curta, mas sua obra conta com 8 discos em vida, 3 na fase do Barão Vermelho (1982 - Barão Vermelho; 1983 - Barão Vermelho 2; 1984 - Maior Abandonado) e 5 em sua carreira solo (1985 - Exagerado; 1987 - Só Se For a Dois; 1988 - Ideologia; 1989 - O Tempo Não Pára Ao Vivo; 1989 - Burguesia), em 1991 foi lançado o disco póstumo Por Aí.
Cazuza viveu e curtiu como poucos, e apesar do desfecho, soube muito bem aproveitar os prazeres da vida, quase todos, das praias, do amor, do sexo, do sucesso, e até das drogas, experimentou de tudo, e também viajou o mundo, Paris, Nova Iorque ... Ele era o beijo da boca do luxo na boca do lixo, como diz a frase escrita por Wally Salomão e que Cazuza mesmo cantou em 1985.
Cazuza, moleque travesso, um raio de energia, de poesia, de alegria, de talento, de beleza, de sinceridade e ousadia que passou por aqui, exatamente como um raio, ou um meteoro, que passa rápido mas deixa seu vestígio no céu e a lembrança para quem o viu, agora para as pessoas que não se lembram, ou lembram pouco (como eu), ou que nem eram nascidas, fica o consolo dele ter existido e ter sido brasileiro, e de ter deixado tudo gravado para as gerações posteriores, uma bela herança, pois ele sabia e dizia: "O Tempo Não Pára".
E nesses 20 anos sem Cazuza, fica aqui a simples, mas a sincera homenagem para esse grande artista brasileiro !!!